Aldeia Sesc de Artes: público prestigia o espetáculo Ledores do Breu


Na noite de quinta-feira, 24 de agosto, o público compareceu ao Teatro Atheneu para prestigiar o espetáculo Ledores do Breu, dentro da programação da Aldeia Sesc de Artes. Montado pelo grupo teatral paulista Companhia do Tijolo, Ledores do Breu é inspirado nos pensamentos de Paulo Freire e nos escritos de Zé da Luz e Guimarães Rosa. Dirigido por Rodrigo Mercadante e encenado por Dinho Lima Flor, o monólogo trata da relação do ser humano com seu entorno através das palavras. Seja por meio dos personagens que leem no escuro, como sugere o título, como também daqueles para os quais as palavras são um mistério.

“Temos muitos personagens. Temos, por exemplo, a Maria Sebastiana, uma figura que aprende a ler depois de 80 anos. Também falamos de feminicídio através de um personagem que assassina a mulher, pois ele não consegue ler a carta que ela manda para um ex-namorado dizendo que não o quer mais. É um espetáculo muito afetivo, amoroso, mas muito contundente nas suas questões. Falamos do país, pois estamos vivendo muitos abismos, momentos de muito ódio, onde as reflexões não são bem-vindas. Quando as pessoas odeiam muito é porque elas não têm curiosidade para a vida. Por isso condenam a diversidade, que é a única forma de entender o outro, de se posicionar de forma livre e observar o mundo”, declarou Dinho Lima Flor.

O espetáculo teve início com o público e o ator interagindo no hall do Teatro Atheneu. Na sequência, os espectadores foram conduzidos para dentro do teatro onde ocuparam as arquibancadas montadas no palco. O monólogo reuniu uma plateia formada, em sua maioria, por universitários, jornalistas, atores e músicos. O público saiu impactado pela atuação passional de Dinho Lima Flor.

“Um bálsamo de arte e palavras. Uma linda homenagem a Paulo Freire que joga na cara da gente poesia, leveza, peso, mas que nos diverte, nos entretém, nos deixa bem ‘futucados’ para pensarmos um pouco mais em tudo o que acontece à nossa volta”, descreveu a jornalista Tanit Bezerra.

“Achei um espetáculo necessário pela sua estética, proposta cênica, pelo conteúdo. E ele traz autores que são muito importantes para a história não só da palavra, mas política e poética do nosso país”, observou a atriz e cineasta Diane Veloso.

O monólogo chegou a Aracaju através do Palco Giratório, projeto do Sesc que leva espetáculos culturais para todas as partes do país. O monólogo compôs a programação do penúltimo dia da Aldeia Sesc de Artes.

“A avaliação da Aldeia Sesc 2017 e do Palco Giratório, que neste ano completou 20 anos, é muito positiva. A gente nem terminou ainda e já sente que o resultado final vai ser muito bacana, porque o público compareceu, os espetáculos trouxeram um viés político muito engajado. Fazer artes cênicas no Brasil é sempre uma decisão política também, e eu acredito muito nessas propostas, nesses espetáculos e também na formação. E quando eu falo em formação, é porque a Aldeia também trouxe muitas oficinas, palestras, debates, e todos com casa cheia”, avaliou André Santana, supervisor de Cultura do Sesc em Sergipe.