Primeira noite do Sescanção é marcada por grandes apresentações de novos talentos


A noite de quinta-feira marcou o início de mais uma série de grandes espetáculos que durarão três dias, mostrando o melhor da música sergipana, no Teatro Atheneu. A apresentação do maestro Jota Gentil abriu a edição 2017 do Sescanção, maior evento musical de Sergipe, que descobre e redescobre talentos que figuram no cenário musical do estado.

Neste ano, o Sescanção se dividiu em três etapas, sendo dois dias direcionados para a música formatos canção e instrumental e um dia exclusivo para o segmento musical que mais cresce no Brasil, a música Gospel. No total, 18 artistas entre cantores e grupos musicais sergipanos se apresentarão no palco do Teatro Atheneu.

Na apresentação de Jota Gentil, o maestro apresentou uma mistura de ritmos que não se poderia pensar anteriormente a convergência entre si. O público acompanhou uma mistura de choro, com maracatu e baião, que promoveu uma grande experiência sensorial na mistura de metais com percussão e a performance de Barata do Cavaquinho, convidado por Gentil para o Sescanção.

O segundo artista selecionado pela comissão de curadoria foi o maestro instrumentista Hugo Sanbone, que com sua banda inovou ao juntar o estilo popular do pagode, com música orquestrada, promovendo uma sonoridade inigualável para os espectadores do Atheneu. A mistura de pagode com influências de sinfonias de Stravinsky e Tchaikovsky, levou o público a uma experiência única e inovadora. O maestro não se conteve e desabou em lágrimas durante sua apresentação, pois estava há vinte anos distante de Sergipe, viajando pelo país e pelo mundo trabalhando com música.

“Participar do Sescanção foi uma experiência sensacional, pude mostrar como se faz a mistura de elementos musicais, dando mais compreensão para o que é música de qualidade. Jamais se imaginou que poderíamos misturar o pagode baiano com a música clássica e chegar a uma qualidade musical inigualável. Tudo isso é o resultado de muito trabalho de pesquisa e dedicação. Voltar para minha terra e tocar no Sescanção, para mim, foi uma grande realização, estou muito feliz com o que apresentei nesta noite”, disse Hugo Sanbone

Um estilo musical que permanecerá imortalizado é o instrumental. Afinal, sua importância está enraizada, por ser a base de todo o universo musical. Isso é o fator primordial para o músico Rafael Freitas, que realizou a terceira apresentação da noite. Freitas executou sua performance solo, chamando muito a atenção do público presente, sendo ovacionado ao encerrar sua participação no Sescanção.

A diretora regional do Sesc, Adely Carneiro, valorizou os talentos apresentados na primeira noite do Sescanção, que tem a grande missão de descobrir os novos nomes da música sergipana.

“Estamos completando 21 anos de Sescanção, consolidando cada vez mais a nossa mostra de música, como o maior evento musical de Sergipe. Do nosso palco saíram grandes talentos que figuram no cenário musical nacional e internacional. Essa é a nossa missão

Uma grande miscigenação entre ritmos marcou a apresentação da cantora Anne Carol e a Banda Afrodrums. Reggae, músicas de raízes regionais e de valorização dos instrumentos de percussão marcaram a noite. A cantora destacou que suas músicas contam com influência direta de Dandara, Aqualtune, Luiza Majin, mulheres negras que lutaram pela liberdade. O estilo livre e independente arrancou uma salva de palmas muito prolongada.

Mantendo a tradição de alta qualidade das bandas que tocam música pop e rock em Sergipe, a banda Nasio subiu ao palco do Sescanção levando ao público canções que remetem às grandes bandas do cenário nacional, mas com uma identidade própria, genuinamente sergipana. A banda apresentou três músicas que tiraram o fôlego do público que chegou a cantar junto com eles os refrãos de fácil aprendizado. O vocalista John Nasio surpreendeu a todos com sua performance.

A última apresentação da primeira noite do Sescanção foi considerada um presente para o regionalismo. O grupo Pilão de Pife é o resultado de um projeto de pesquisa, preservação e atualização da arte musical regional, com os tradicionais pífanos como base para sua apresentação. As influências diretas dos contextos de feira e baile se juntaram com a essência do Mestre Euclides do Treme-Treme do Mosqueiro. Os espectadores que participaram da primeira audição do Sescanção 2017 não se seguraram e acompanharam o refluar da melodia ao som das flautas nordestinas.